Voltaire e o Caso Calas

Voltaire, cognome de François Marie Arouet (1694-1778), foi um dos mais célebres filósofos iluministas. No contexto das atitudes religiosas de Voltaire, ficou célebre o seu envolvimento no chamado Caso Calas (1761-1762). Jean Calas era negocia te calvinista de Toulouse, condenado à morte por, supostamente, ter estrangulado o seu próprio filho, a fim de o impedir de se converter ao catolicismo. Perturbado por um ato tão violento, revelador de um imenso fanatismo religioso, Voltaire decide inteirar-se do que realmente se passou. Tendo concluído, sem margem para dúvidas, a inocência de J. Calas, o filósofo usou todo o seu prestigio para agitar a opinião pública e conseguir a reabertura do processo, que conduziu à reabilitação de Calas, em 1765.
Este caso, que passaria quase despercebido não fora a pena de Voltaire, apaixonou a França e chegou à corte de Versalhes, onde a viúva e as filhas de Jean Calas foram recebidas com toda a deferência.
Foi no auge deste caso que Voltaire publicou o seu Tratado sobre a tolerância…, obra de grande impacto que contribuiu também para o restabelecimento dos direitos dos protestantes em 1787.

Já não é aos homens que me dirijo, mas a ti, Deus de todos os seres, de todos os mundos e de todos os tempos[…]. Faz com que os nossos erros não se transformem em calamidades! Tu não nos deste um coração para odiar nem mãos para matar[…]. Faz com que […] as pequenas diferenças entre o vestuário que cobre os nossos corpos débeis, entre todas as nossas línguas inábeis,entre todos os nossos costumes ridículos, entre todas as nossas leis imperfeitas, entre todas as nossas opiniões insensatas,[…] que todas essas pequenas diferenças que distinguem os átomos a que chamamos homens, não sejam sinais de ódio e de perseguição!
Que aqueles que Te acendem círios ao meio-dia, para Te adorar, aceitem aqueles que se contentam com a luz do teu sol! Que aqueles se cobrem de um pano branco para dizerem que é necessário amar-Te, não detestem os que dizem a mesma coisa sob um manto de lã negra.[…]
Possam todos os homens lembrar-se que são irmãos […] Empreguemos o instante que é a nossa existência a louvar igualmente, em mil linguagens diferentes, […] a Tua bondade, que nos concedeu este instante.
 

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Voltaire, Tratado Sobre a tolerância por ocasião da Morte de Jean Calas, 1763

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